A telona está pegando fogo nesta semana com 50 Tons de Cinza. Posso ser um pouco fora do convencional, mas isso me fez pensar nos tons de cinza que encontro todos os dias. Como aluno de ciências, eu me encontro mais vezes trabalhando nos tons de cinza do que fora deles. Quanto mais aprendo, menos pareço saber, e mais perguntas tenho. Como espectador de TV religiosa e leitor de noticiários, eu acho particularmente perturbador lidar com a “literatura científica” apresentada em alguns meios de comunicação.

Todos nós nos empenhamos para ter respostas simples para perguntas complexas. Mas a realidade é que muitas coisas não têm respostas simples. E assim nós nos encontramos perdidos no meio dos 50 tons de cinza apresentados pela ciência em títulos chamativos.

Um título pode nos dizer para evitar alimentos com glúten, pois eles causam desconforto GI. Bem, para aqueles com sensibilidade ao glúten ou doença celíaca, esse é geralmente o caso. Aproximadamente apenas 1% da população sofre de doença celíaca, assim, como o restante de nós responde a um título simplificado como esse?

Este é um exemplo perfeito do enigma dos 50 tons que todos nós temos que encarar. Nós temos que fazer mudanças em nossa vida com base nas informações científicas apresentadas pela mídia? Novamente, fico aqui com mais perguntas do que respostas.

Para lidar com esse problema, reuni algumas dicas para navegar pelas informações científicas apresentadas pela mídia. Essas dicas ajudarão você a ler entre as linhas e determinar por si mesmo a validade científica. E, com esperança, elas ajudarão você a decidir se mudará seu estilo de vida com base nas informações “obscuras” que você recebe.

CUIDADO COM A SOLUÇÃO INSTANTÂNEA

Primeiro, é importante lembrar que a ciência nos noticiários é muito simplificada. Redatores dos títulos querem algo chamativo para capturar o máximo de leitores possíveis. As notícias dão o que parece ser uma resposta simples para uma pergunta complexa. E eu, como consumidor, sou levado a acreditar que uma simples ação pode consertar meu complexo problema. Isso raramente é verdade.

Por exemplo: o termo “superalimento”. Muitos alimentos são enriquecidos com vitaminas e cheios de benefícios saudáveis. (Veja este incrível resumo sobre esses alimentos funcionais). Mas não há nenhum padrão para que um alimento seja qualificado como “super”. Um “superalimento” é o exemplo perfeito de uma simples resposta para uma pergunta complexa. “O que devo comer para ficar saudável?” é uma pergunta complexa. Um único alimento não pode transformar toda uma dieta. A qualidade da dieta cai sobre equilíbrio, variedade e moderação.

APRENDA A LINGUAGEM

Ao ler ou ouvir sobre estudos científicos na mídia, ouça cuidadosamente os termos que eles usam. Termos definitivos que são “preto no branco” são muitas vezes mal-usadas para simplificar a mensagem. Correlações e associações são muitas vezes mal classificadas como causas. Mais sobre isso aqui. Então, o que você procura?

O que é associação/correlação? As taxas de insuficiência cardíaca congestiva são maiores em condados que votaram num candidato republicano à presidência em 2012. Porém, viver em um desses condados não lhe causa insuficiência cardíaca congestiva.

Procure “mais propenso a”, “taxas mais altas” e frases similares. Os piores infratores levarão essas associações ainda mais longe. Eles podem dizer que algo “pode causar” alguma outra coisa, quando a causalidade não é fundamentada.

Qual é a causalidade? Comer mais calorias do que você queima fará com que você ganhe peso. O excesso de calorias em seu corpo fará com que ele armazene essas calorias como gordura e isso leva ao ganho de peso.

Sempre tome cuidado com a palavra “comprovado”. Alguns autores usam chavões como “cientificamente comprovado” ou “clinicamente comprovado” sem ter informações de apoio.

A ciência está em constante evolução e um estudo não é suficiente para provar que você deve mudar seu comportamento. Avaliar os estudos no contexto de todo o corpo da literatura científica fornece informações confiáveis para tomar decisões informadas.

VERIFIQUE A QUALIDADE

Use o Kit de Ferramentas para Avaliação da Evidência da IFIC para revisar você mesmo os estudos. O kit de ferramentas possui um glossário para ajudá-lo a navegar pelo vocabulário, de “estatisticamente significativo” até “estudo transversal”.  Ele também pode ajudá-lo a revisar a força do estudo observando seus métodos, desenho e publicação. Você pode usar a Lista de Verificação para Avaliação do Estudo para ajudar a determinar o quão desconfiado você precisa ser sobre os resultados do estudo. Para ver a lista de verificação em ação, clique aqui para ver um exemplo.

LEMBRE-SE A TENDENCIOSIDADE ESTÁ EM TODOS OS LUGARES

Por fim, é importante lembrar que todos têm tendências: você, eu, cientistas, jornalistas, etc. Todos nós temos certas ideias e crenças que moldamos na forma com que enxergamos o mundo. É importante ter consciência de nossas próprias tendências ao tentar ser objetivo. Se você é a emotiva Ana Steele ou o estoico Christian Grey, isso provavelmente tem um impacto.

SUBSTRAIA…

Não seja enganado pelo belo terno e gravata que a mídia coloca sobre a ciência. A ciência é geralmente cinza e bagunçada. Nós almejamos respostas simples e claras para nossas complexas perguntas, mas, geralmente, isso não é possível. Se os noticiários apresentam a você informações preto-no-branco, isso faz as respostas parecerem simples. Seja desconfiado e se aprofunde. Use todas as ferramentas de sua caixa. Seguindo essas dicas simples, você poderá aprender a detectar os pontos fortes e fracos na cobertura do noticiário de ciências.